Escrever a vida em folha em branco,
Deixar o vento o que passou levar,
Desatar o nó que aperta o peito,
E, sem pressa, aprender a caminhar.
Olhar o mundo com olhos de início,
Buscar sorrisos em novas esquinas,
Fazer da amizade um terno abrigo,
Onde o afeto e a paz se desatinam.
Que venham novos rostos, novas pontes,
E quem sabe, num passo inesperado,
Alguém que traga luz aos horizontes,
O tão sonhado príncipe encantado.
O amanhã pertence ao que é divino,
Basta a alma aberta e o passo firme,
Que a vida desenha o seu destino,
E a felicidade, enfim, confirme.
A folha em branco ganha as primeiras linhas,
Escritas com a tinta da coragem,
Já não há medos nas velhas esquinas,
Onde o destino molda esta viagem.
O vento que levou a antiga dor
Traz agora o perfume do que é novo,
A vida pinta um quadro de outra cor,
E a própria alma sente o seu renovo.
E nas pontes que o tempo foi erguendo,
Cruzam-se olhares cheios de promessa,
Onde o amor se vai subentendendo,
Num compasso suave e sem pressa.
O príncipe sonhado fez-se real,
Não no cavalo das lendas antigas,
Mas no abraço terno e sem igual,
Que cura as feridas outrora inimigas.
O que era sonho hoje ganha espaço,
Na calmaria dos dias que vêm,
A vida inteira cabe num abraço,
Onde os fantasmas já não mudam ninguém.
O medo antigo de um novo começo,
Deu lugar à doce e terna rotina,
A felicidade já tem endereço,
E o coração, em paz, se ilumina.
Olhamos juntos o mesmo horizonte,
Escrevendo as páginas que o tempo traz,
Bebendo a água da mesma fonte,
Onde o destino se vestiu de paz.
E na moldura de um final feliz,
Que na verdade é só o recomeço,
A alma dita o que o peito diz:
Ganhei o abrigo que hoje reconheço.