loucuras de amor

Onde a palavra sangra para o peito respirar

O silêncio acumula poeira nas gavetas da memória.
Guarda os pratos partidos na cozinha,
as conversas que terminaram a meio da frase
e o eco seco do telefone que ninguém atendeu.

Ele esconde o medo exato de envelhecer sozinho,
o peso dos dias em que a rotina é um casaco pesado
e aquela vontade súbita de largar tudo na berma da estrada.

Mas o poema rasga o casaco.
O poema senta-se na berma e acende um cigarro.
Ele confessa a fragilidade que a gente disfarça com pressa,
limpa a poeira dos erros antigos
e expõe a carne viva do que ficou por dizer.

Escrever é desarmar o silêncio.
É deixar que a palavra sangre, livre,
até que o peito volte a respirar.

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