loucuras de amor

Cartas ao Tempo que Chegou Tarde

Minha Amada,
Se o destino permitir que estas linhas cheguem aos teus olhos, sabe que nasceram da impossibilidade do meu silêncio. Desde o momento em que te vi, naquele olhar que se estendeu além do que era sensato, a minha alma despediu-se da sua antiga paz. Fui envolvido por um ímpeto desconhecido, uma doce vertigem que transformou aquele breve instante em eternidade.
Havia no teu rosto um mistério que me convidava a entrar, embora soubesse que a recompensa seria a eterna inquietação do meu coração. Falaste-me com a inocência de quem não conhece a própria força, e eu rendi-me à melodia da tua voz.
Contudo, entre nós ergueu-se a sombra implacável do tempo. A ironia do mundo entregou-te a outra história, guardando para mi apenas a certeza de que fomos um desencontro ideal. Dizem-me para esquecer, para apagar a memória do teu olhar, mas como arrancar de mim o que já se tornou parte do meu ser?
Mesmo no vazio da tua ausência, o ar que respiro traz o teu rasto. Escrevo-te, assim, sem esperança de retorno, apenas para confessar ao papel que o teu nome será a prece eterna da minha solidão.
Teu para sempre…
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