O vento sopra as memórias que guardei
entre as curvas do tempo e o que passou.
Foram tantas as estradas que andei,
mas sei bem quem a jornada me tornou.
Cada cicatriz é um traço de vitória;
cada lágrima trouxe uma nova lição.
Os tropeços também fazem a história
e dão mais força e prumo ao coração.
Se coloco o passado na balança,
o peso do afeto é sempre maior.
Renovo o meu caminho na esperança
de que o amanhã seja ainda melhor.
Olho para trás e vejo os descaminhos,
os dias cinzentos em que me perdi…
Mas lembro também de quem tirou espinhos
e das mãos estendidas que recebi.
A vida não é uma linha reta e exata:
é mar que agita, que acalma e que vai;
é o brilho do sol que na água desata,
a força que levanta sempre que cai.
Sigo em frente com o passo mais seguro,
levo na mala o que o tempo ensinou.
Olho sem medo as sombras do futuro,
pronto a acolher o que o destino guardou.
Por isso, eu somo tudo o que vivi:
o riso franco e a dor que já passou.
O saldo é o orgulho de chegar aqui
e celebrar a alma que em mim ficou.