
Toda a gente tem um rótulo,
Toda a gente menos alguém,
Tudo me define, nada se confirma.
Muitos me conhecem,
poucos me definem.
Gosto de simplicidade
e coerência
Detesto falsidade
e falsa paciência.
Tenho saudades de confiar,
sem medo de me entregar.
Disseram para do passado
me libertar, para
o melhor de Mim mostrar.
Talvez tenhas razão,
mas é fácil falar.
Confiança traída,
autoestima descaída.
Carência ou decadência
não sei qual escolher,
para definir
este turbilhão de emoções,
por um sorriso despertado
ou até um olhar cruzado.
Mente confusa com esta vida
que por mim não foi escolhida.
Realidade imposta,
à força toda, sem preparação
apenas com um bilhete
e uma mala na mão.
O que estava para vir
eu desconhecia.
O que veio eu enfrentei,
sem medo de agonia.
O que o futuro me reservou
jamais a mente pensou.
Já chorei, sorri, ajudei,
vivi até já cai.
Já me levantei, corri,
tropecei e até lamentei.
Mas hoje estou aqui
mais maduro
que uma uva no Outono,
mais vivido do que quando
tinha o meu trono.
Mais, vivi só quando
tinha o meu trono,
mais presente de que
sou alguém consciente
daquilo que me prende aqui.
Hoje penso e repenso
e sei
que a única forma
de ser Eu
é respeitar aquilo
que de mais simples
tenho ao meu lado.
As folhas caem no outono,
e eu já tropecei nelas
algumas vezes.
O mar revolta-se com frequência
e momentos há
em que sou a onda
que mais explode no final.
O sol põe-se
todos os finais de tarde,
mas com a certeza
de que no dia seguinte
nasce com ainda
mais luz e brilho.
E como diria Fellini:
"Não há nenhum fim.
Não há nenhum começo.
Há somente a paixão da vida.