
O mar se revela e aparece
Ora agitado, ora calmo
Maré cheia, maré baixa
Profundo e misterioso
Convidativo, inesperado
Meu ser mira o mar e nele estou refletida
Há mar, como eu...
Há mar em mim
Mas o mar não sabe que é mar
E eu, que igualmente não sei quem sou
Sei assustadoramente que sou
Ele me confronta com seu confortável não-saber
Indo e vindo sem saber que é mar
Eu, indo e vindo-a-ser
Sabendo que existo e existe o mar
Que não sabe que é mar, que não sabe o que é amar
Tão-pouco sabe o que é a-mor-te recordar todos os dias
Esquecer todos os dias
Além-mar, todas as possibilidades
Além-mim, todas as possibilidades, além do mar
Aí nos encontramos: ambos insondáveis!